Nova Central participou da 1ª Marcha Nacional das Mulheres Negras.

Nega

 

A primeira edição da Marcha das Mulheres Negras aconteceu quarta-feira (18/11), em Brasília. Milhares de mulheres negras, quilombolas, indígenas e yalorixás marcharam contra todas as formas de discriminação e violência de gênero. A data será um marco na história pela igualdade racial no Brasil e contra a intolerância religiosa e o racismo.

De acordo com Cátia Laurindo, diretora Nacional da Nova Central, o evento teve início às 9h, no Ginásio Nilson Nelson, e seguiu até o Congresso Nacional. “Eram turbantes, tranças e as cores da África que marcavam a identidade da manifestação e ajudavam a dar corpo ao grito pelo fim do extermínio da juventude negra, contra a maioridade penal, pelos direitos das mulheres e por mais políticas públicas voltadas para negras”, afirmou.

Disse que a marcha também homenageou importantes personalidades negras como Dandara, Zumbi dos Palmares, Nelson Mandela, Carolina de Jesus, Lélia Gonzalez. Por volta das 13h53, as mulheres ocuparam o Congresso Nacional aos gritos de “Fora, Cunha”.

“Foi incrível. Cantamos música afrodescendente e reverenciamos nossas ancestrais em defesa da cidadania. Aproveitamos o ensejo e protestamos contra os projetos de lei que restringem os direitos das mulheres, sobretudo das negras, de autoria do presidente da Câmara Nacional, Eduardo Cunha. Com este refrão: ‘Ô Cunha, cadê você, eu vim aqui só pra te prender e, ai, ai, ai, ai, empurra o Cunha que ele cai’, foi bastante repetido na manifestação”, disse Laurindo.

No país de maior população negra fora da África, a falta de representatividade de negros na mídia, na política e no Judiciário também foram temas de manifestação.

“Hoje as mulheres negras mostram para o mundo e para o Brasil a nossa força e resistência. Dizemos ainda que queremos estar em todos os lugares. É importante marchar pela implementações de políticas públicas para as negras”, afirmou Nilma Lino Gomes, Ministra das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

Bastante emocionada, a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) afirmou que era um momento histórico porque a marcha traz a marca e o suor de cada movimento, das donas de casa que conseguiram adquirir um diploma universitário.

“Não somos uma qualquer. Estamos conseguindo o nosso espaço e marchando para dizer: não aos projetos que tiram os direitos das mulheres; não à matança de jovens negros; não à violência contra as mulheres. Basta de intolerância! Não queremos retrocesso, mas queremos, sobretudo, defender o Estado Democrático de Direito”.

Por volta das 15h, a marcha retornou ao Ginásio Nilson Nelson onde terá oficinas, apresentação de várias atividades, shows das mulheres negras e exibição de filmes.