NCST sedia reunião da Comissão da Verdade sobre perseguição a sindicalistas durante o Regime Militar

A Nova Central Sindical de Trabalhadores – NCST sediou, nesta segunda-feira (31/07) reunião do Grupo de Trabalho (GT) das centrais sindicais oriundo da Comissão Nacional da Verdade (CNV). O objetivo do encontro é viabilizar uma força-tarefa para pesquisa e seleção de documentos disponíveis no galpão do Ministério do Trabalho que irão dar subsídio à elaboração de relatório preliminar de pesquisa, a ser entregue em novembro, sobre a perseguição a sindicalistas durante a ditadura militar.

Integrantes do GT denunciaram as condições precárias de armazenamento de documentos de valor histórico relevante, necessitando higienização do material de modo a aproveitá-lo para pesquisa e arquivamento. “Nossa força tarefa vai se concentrar no governo Castelo Branco, onde identificamos mais de 700 intervenções em organizações sindicais, principalmente, em entidades de abrangência nacional como a CNTI, a CONTAG, entre outras. Para assegurar qualidade na análise desses dados, de um período tão sombrio de nossa história, estamos acompanhados da pesquisadora do Arquivo Nacional, Heliene Nagazava, que é autora de tese que concentra estudos no governo Castelo Branco. Com a rigorosa seleção e análise do material colhido, asseguraremos precisão nas informações que estarão disponíveis no relatório final”, reforçou o representante da NCST, Orlando Moreira Júnior “Bira”.

O líder sindical, que esteve preso no DOPS por delação de agentes infiltrados quando era funcionário da extinta Companhia Municipal de Transporte Coletivo (CMTC) relembrou que, no governo Castelo Branco, ocorreu uma “incansável” perseguição às organizações dos trabalhadores. “Como exemplo, o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) foi extinto, com a posterior perseguição e prisão de seus integrantes. Após o encarceramento dos sindicalistas, o governo Castelo Branco nomeou um interventor e uma junta governativa que administrou o sindicato a mando dos militares. O Ministério do Trabalho, na ocasião, detinha o papel de promover essas intervenções. Um órgão que teoricamente tinha a atribuição de fomentar o desenvolvimento do país e arbitrar as relações de trabalho, utilizou o aparelho repressor do Estado para perseguir lideranças sindicais do período, sobretudo, aquelas que se posicionavam como adversárias do regime. Tal estratégia visava inviabilizar toda e qualquer luta do movimento sindical em prol de seus respectivos representados. Um atentado à democracia, aos diretos humanos e às liberdades individuais e coletivas que, se depender do nosso empenho, não será omitido da nossa história”, concluiu Bira.

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) foi criada em 2011 com o objetivo de “apurar graves violações de direitos humanos ocorridos entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988” através da investigação de crimes praticados por agentes do Estado contra cidadãos que lutaram contra a repressão. As atividades da CSV foram oficialmente encerradas em 10 de dezembro de 2014, com a entrega do relatório final à então presidenta, Dilma Rousseff. A lacuna deixada pela carência de pesquisas relacionadas à perseguição de sindicalistas e entidades sindicais no período motivou a continuidade dos trabalhos do GT das centrais sindicais para elucidar crimes, até então, desconhecidos. A própria chancela do Ministério do Trabalho à intervenção militar direcionada às entidades sindicais, é objeto da pesquisa que conta com o apoio e suporte do atual ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira.