Crise Política e Potencial Financeiro do Brasil

Na quinta-feira (7/4) o professor da PUC – SP, Landislau Dowbor palestrou sobre “O Resgate do Potencial Financeiro do País”, na assembleia deliberativa da Nova central – SP, realizada na Colônia de Férias da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem no Estado de São Paulo em Praia Grande.

O professor foi enfático ao discorrer sobre as origens e responsabilidade pela atual crise econômica, apontou que a totalidade dos “Commodities” – grãos, petróleo, gás e minérios – estão nas mãos de “16 Tradings Globais”. E à queda nos preços destes produtos nos últimos 12 meses provocou um impacto negativo na “Balança Comercial do Brasil”.

“Quando se pensa que os principais bens do planeta estão com 16 corporações, vemos que há um controle da economia mundial sem que se tenha um governo mundial”. E citou estudo do Instituto Federal Suíço de Pesquisa Tecnológica que aponta: 737 empresas controlam 80% do sistema corporativo mundial. “Isso é gente que se conhece, nem precisa se procurar para conspirar. Trata-se de um verdadeiro oligopólio planetário, e 65% desse sistema corporativo é formado por bancos”, destacou.

Landislau informou que um crediário no Brasil tem 100% de juros e que na Europa é 13%. O rotativo do cartão de crédito alcança em média 300% ao ano. O cheque especial chega a 200% ao ano, enquanto que na Espanha é 0% até 6 meses. E que hoje, temos mais de R$ 20 bilhões em dívidas empatados em dívidas de gente com o cheque especial.

Segundo ele, crediários, cartões de créditos e juros bancários para pessoa física travam a demanda, pois o comprador paga em dobro pelo produto adquirido via financiamento, assim endivida-se muito e compra pouco. Reforçou que a crise não é econômica e, sim, uma crise levada por interesses políticos, além de afirmar a existência de uma aliança do sistema financeiro, da mídia e de parte do judiciário, que somado a inércia do Congresso Nacional, literalmente “trava” o crescimento econômico.

“A maioria absoluta dos parlamentares foram eleitos por corporações (ruralista, bancária, empreiteiras, montadoras, religiosas, etc…), que juntos, atuam contra os interesses da Nação. Situação semelhante à atual tivemos em 54 (ano em que Getúlio Vargas se suicidou) e em 64 (ditadura militar). Não passa pela goela das nossas oligarquias que haja uma democracia, e isso não só nos ameaça aqui, como nos ameaça no Continente Latino – Americano e no mundo”, complementou.Landislau